cartaz direitos humanos

MENÇÃO HONROSA

http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/noticias/ultimas_noticias/MySQLNoticia.2008-08-26.2732

material gráfico concebido para participação no concurso comemorativo dos 60 anos da declaração universal dos direitos humanos. grafite nanquim, illustrator, photoshop.

Para este material gráfico lancei mão de recursos técnicos, estéticos e conceituais que venho estudado há algum tempo, no intuito de desenvolver e aprimorar uma linguagem visual própria, baseada nas referências culturais já citadas, das quais tive a oportunidade de assimilar um variado repertório de características, traçando diálogos entre formas tradicionais do fazer artístico e novas informações visuais que as atuais possibilidades tecnológicas nos proporcionam.

Técnica

Elaborado o plano de ação, passei para a primeira parte do trabalho, que foi realizada manualmente. A figura principal, humana, foi desenhada em tamanho real com lápis grafite e nanquim. Ela foi dividida em partes iguais, escaneada, convertida em vetor e colorizada.

O próximo passo foi a coleta de imagens. Busquei mapas de diversos países que foram escaneados de um atlas, fiz alguns tratamentos de brilho, contraste, variações de cor e conversão em vetor. Outras figuras, humanas, foram coletadas de fotografias, vetorizadas e tratadas.

As outras formas foram geradas com o auxílio de um software, que proporcionou a adição das tipografias e dos grafismos complementares.

Estética e Comunicação

Neste cartaz optei pelo formato vertical de maneira a acentuar o impacto da figura principal. A leitura visual inicia-se pelo título do cartaz, presente na altura da cabeça. O olhar percorre o braço, se atendo durante um tempo às figuras no interior do mesmo até desembocar no encontro com a outra mão, estrategicamente posicionada sob o retângulo onde estão escritos os artigos da declaração, no lado direito. Depois de lidos os artigos, o observador passa para o lado esquerdo, onde estão sutilmente dispostas algumas das violações dos direitos humanos, no entanto relembra, um pouco abaixo, dos 60 anos da declaração.

Optei por tons de vermelho (tensão, força, emoção), cor do sangue, no lado esquerdo do cartaz, para destacar as imagens de violações diversas: contra a mulher, crianças, grupos étnicos, religiosos. Tons de amarelo (alegria, energia, vivacidade) estão dispostos no lado oposto, juntamente com as texturas formadas pelos mapas e com o texto sobre o fundo vermelho, por contraste.

A opção pelo contraste preto e branco na figura principal se deu com o intuito de reforçar as diferenças (e semelhanças) entre as diversas figuras. Tons de preto também nos desenhos de mapas sobre o fundo amarelo, onde algumas palavras se destacam.

Sombras criam volume na figura principal e no termo “60 ANOS”, criando um efeito de tridimensionalidade sobre o plano cartaz.

Os grafismos de formas triangulares (geométricas) entram como complemento aos traços faciais (orgânicos) criando uma unidade em relação às referências estéticas a que me referi, equilibrando a composição, além de delimitar o espaço destinado às marcas inseridas (e por inserir).

A tipografia de título, forte e elegante, reforça um caráter de impressão manual no trabalho. Disposta em diferentes tamanhos de acordo com os termos, oferece maior destaque à “DIREITOS HUMANOS”, pois, embora em corpo menor, está em melhor posição na leitura visual em relação ao termo “60 ANOS” (oposto pela diagonal).

Conceito

Esse trabalho foi elaborado de forma a externar um ponto de vista sobre a declaração como instrumento de proteção dos direitos e promoção do bem-estar das sociedades e relações humanas. De modo que, para isso, atribuí significações às imagens que o compõem.

Sendo assim, para o lado esquerdo destinei um trecho limitado para as violações, de diversas épocas e localidades. Violações estas que são “empurradas” pelo braço que carrega as populações e as transfere para os espaços em tons de amarelo, onde existem os mapas sobrepostos dos países, significando a união entre as nações sobre as quais estão assegurados os direitos humanos, por sua vez representados pelos artigos da declaração.

Embora tenha objetivado um caráter universal, busquei também fazer localizações sutis. Temos a América do Sul representada ao lado dos artigos, e o Brasil, que está saindo da boca da figura humana, como uma voz.

Na figura principal a representação de um ser humano foi limitada à duas partes do corpo que considerei essenciais para o cartaz: a cabeça e um dos braços. A significação da primeira traduz o que imaginei como o conceito da declaração universal dos direitos humanos. Posicionada na parte superior, esta cabeça olha para baixo, na direção dos mapas (representação dos países), avaliando a situação mundial e identificando as violações dos direitos, passando a elaborar a estratégia de ação. Temos agora a significação do braço como um instrumento de execução dessa estratégia, acolhendo em si e protegendo pessoas de diferentes expressões, grupos étnicos, idades, com formas que se complementam, e também com seus pequenos braços solidários dispostos a colaborar por um bem comum: a defesa dos direitos humanos e, conseqüentemente, a formação de um novo braço, um pouco menor. A disposição destes dois braços, com dedos se aproximando faz, ainda, uma referência ao famoso quadro de Michelangelo – A Criação de Adão. O primeiro homem segundo a tradição judaico-cristã.

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